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Árabe - Superstrato ou Adstrato

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Primeiro que tudo, pergunta o Criador intrigado, qual a dúvida relativamente ao papel de estrato que a língua árabe ocupou? Superstrato ou Adstrato? Na realidade, o Árabe é um superstrato: ocorre após e vai influenciar o estrato. Por outro lado, o Árabe deixa unicamente influências lexicais e tecnológicas - nem sequer deixou qualquer hipótese de influências fonológicas ou estruturais, como o superstrato germânico. Esta característica é a de uma língua de adstrato: coexiste com a língua estrato, mas não a altera, apenas contribui com algum léxico.

Como foi referido anteriormente, os Árabes encontraram uma unidade linguística quando invadiram a Península Ibérica: o Romance Visigótico. Contudo, existiam já características particulares que distinguiam os diversos dialectos. Por vezes, os próprios dialectos apresentavam distinções até dentro de si mesmos, como se pode ver no Galaico-Português em que o Galego é mais conservador que o Português.

Galaico-Português Asturo-Leonês Castelhano Navarro-Aragonês Catalão
pl- tsom ch- som lh- psom lh- pl- pl-
cl- cl-
fl- fl-
-l- -- -l-
-n- -n-
-mb- -m-

É este o cenário linguístico que a invasão árabe vai encontrar aquando da rápida conquista da Península Ibérica. De facto, em menos de cinco anos os Árabes já tinham estendido a sua fronteira o mais norte que lhes fora possível. E, por cinco séculos, este domínio manteve-se em todo o centro e sul da Península. Contudo, não houve mistura entre conquistados e conquistadores - como se pode ver pelas muitas terras de nomes árabes, e pela quase inexistência de nomes árabes.

A conquista árabe não erradicou, como por vezes se pode pensar, a população não-árabe existente: a despovoação ocorreu com base na nobreza, aristocracia e outras figuras a elas associadas. Assim, a população que se manteve era de origem germânica e conviveu com judeus e árabes - o que nem sempre ocorreu de modo pacífico. Aos cristãos que não se converteram ao Islão, chamamos de mouçarabes. Eles tiveram de aprender o árabe, mas mantiveram as tradições românicas e o romance visigótico (este último quase sem evoluções, sendo uma língua usada no contexto familiar).

O romance visigótico fica, com as invasões, dividido em duas regiões: o romance visigótico do sul, cristalizado e uniforme, sem diferenças dialectais; e o romance visigótico do norte, do qual sobressaem imensas características dialectais distintivas. Para auxiliar esta distinção linguística, recorde-se que desde sempre fora esta região norte que maior hipótese de inovação apresentava, enquanto o sul era tradicionalmente mais conservador.

Ocorrem, em resumo, três momentos importantes:

  • Invasão árabe - que leva à distinção dos romances visigóticos do sul e do norte;
  • Reconquista cristã - que permite aos dialectos do romance visigótico do norte evoluir por si mesmos à medida que avançam para sul;
  • Substrato mouçarabe - o romance visigótico do sul, cristalizado e com algum léxico importado do árabe, vai funcionar como um substrato ao romance visigótico do norte.

Julho de 2005




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